Ajuntamentos de mais de 5 pessoas proibidas no cantão de Vaud e Neuchâtel

Alguns cantões francófonos anunciaram novas medidas para lutar contra o covid-19 no dia de hoje.

Vaud, Neuchâtel e Valais

O regime excepcional que permitia ter alguns aligeiramentos sobre as medidas federai terminará no domingo às 19 horas, nos cantões de Neuchâtel, Vaud e Valais. Devido à elevada propagação do vírus, as medidas sanitárias para combater o coronavírus serão alinhadas com as condições definidas pela Confederação.

Os cantões de Neuchâtel, Vaud e Valais anunciaram cada um no domingo que poriam fim ao regime excepcional, o primeiro às 19 horas e os outros dois à meia-noite. A sua taxa de reprodução do vírus subiu acima de 1 durante mais de três dias. Para conter a propagação do vírus, a taxa teria de ser inferior a este limiar.

Este novo regime será, em princípio, aplicado até 22 de Janeiro, em conformidade com a portaria federal. Em termos concretos, nestes três cantões, museus, bibliotecas (Vaud especifica que apenas as salas de leitura serão fechadas sob certas condições), centros de fitness, instalações desportivas, jardins zoológicos e parques de animais terão de fechar.

Comercios fecham aos domingos e a partir das 19h nos outros dias

As lojas, incluindo as das estações ferroviárias, das estações de serviço e dos quiosques, estarão fechadas aos domingos e a partir das 19 horas nos outros dias, com excepção das padarias e farmácias, que também podem permanecer abertas aos domingos. Cinemas, teatros, salas de concertos, bares e discotecas permanecem sempre fechados.

Restaurantes e stands de bebidas nas pistas de esqui também serão fechados. No entanto, as instalações do teleférico e, portanto, as áreas de esqui permanecerão abertas por enquanto, sujeitas a uma nova avaliação por parte do Conselho Federal.

Reuniões privadas reduzidas a cinco

As reuniões e encontros privados (família e amigos) estão novamente limitados a cinco pessoas nos cantões de Neuchâtel e Vaud.

 

 

 

 


Ano novo - Novas regras de circulação

Estamos em 2021 e novas regras de circulação foram implementadas na Suíça.

Condução em auto-estradas

Corredor de emergência

Para facilitar o acesso dos veículos de emergência, os motoristas devem criar uma faixa de emergência no meio das faixas, sem invadir a faixa de paragem de emergência. Numa auto-estrada de três faixas, os veículos nas faixas do meio e da direita devem apertar para a direita e os veículos na faixa da esquerda apertar para a esquerda.

Neste tipo de situação, é essencial ligar as luzes de advertência de perigo o mais rapidamente possível.

Princípio do sistema "zíper"

O princípio do "zíper" aplica-se assim que uma via da auto-estrada é fechada. A fim de manter o tráfego a fluir e evitar abrandamentos, os motoristas têm de deixar passar os condutores de outra faixa que esteja fechada devido a obras na estrada, por exemplo, como um fecho "zíper" de umas calças, por exemplo.

Condução à direita

Se uma linha de veículos se tiver formado na faixa da esquerda (ou na faixa do meio nas auto-estradas de 3 faixas), os motoristas podem ultrapassar os veículos da sua esquerda pela direita. No entanto, a ultrapassagem pela direita, em tempo normal, não é permitida.

As caravanas podem conduzir a 100 km/h.

A velocidade máxima permitida para rebocar um reboque ou uma caravana (até 3,5 toneladas) é aumentada de 80 para 100 km/h nas auto-estradas suíças. Devem ser montados pneus adequados para que o veículo possa viajar a esta velocidade.

Ciclistas

Virar à direita em semáforos

Nos semáforos, os ciclistas e os condutores de ciclomotores podem - apenas quando indicado - virar à direita. Esta não é, portanto, uma autorização geral para virar à direita.

Crianças com 12 anos ou menos

As crianças com 12 anos ou menos podem andar de bicicleta nos passeios (apenas se não houver ciclovia ou pista).

Zonas 30km/h ou 20km/h.

Nas zonas 30 e 20, pode ser feita uma excepção ao princípio da prioridade da direita: é agora possível criar pistas prioritárias para bicicletas nestas zonas.

Sinalização para cicilistas em zonas de semáforos

Possibilidade de criar espaço para ciclistas através de marcações em frente aos semáforos, mesmo se não existir uma ciclovia a chegar a esse lugar.

Estacionamento

Os auxiliares de estacionamento podem ser utilizados sem segurar o volante.

Os condutores podem soltar o volante ou, se o sistema de assistência o permitir, abandonar o veículo se for utilizado o sistema de assistência ao estacionamento. No entanto, devem permanecer alerta e prontos a intervir a todo o momento para poderem controlar o seu veículo, se necessário. O condutor permanece responsável pelo seu veículo.

Espaços verdes para veículos eléctricos

Vagas de estacionamento verdes e um novo símbolo de "estação de carregamento" estão a ser introduzidos para o uso exclusivo de veículos eléctricos. Isto destina-se a identificar rapidamente os lugares de estacionamento com uma estação de carregamento.

Aprendez a conduzir a partir dos 17 anos

  • A licença de aprendizagem para automóveis de passageiros (categoria B e BE), ou seja, condutor-aluno, pode ser obtida a partir dos 17 anos.
  • Os novos condutores podem fazer o teste a partir do seu 18º aniversário, desde que já tenham completado um ano de condução acompanhada.
  • Apenas os condutores que tenham atingido os 20 anos na altura do teste têm direito a fazer o teste como condutor-aluno com menos de 12 meses de condução. Os jovens nascidos entre 2001 e 2002, que terão obtido a sua licença de aprendizagem até 31 de Dezembro de 2020, estão isentos deste período de um ano de aprendizagem. As cartas de condução de condutor-aluno emitidas antes de 1 de Janeiro de 2021 continuam sujeitas ao regime de 2020.

 


Um comunicado do Conselho Federal sem anúncio de novas medidas

Num comunicado emitido esta quarta-feira, o Conselho Federal refere que não estão previstas outras medidas neste momento. Considera que as medidas tomadas no dia 18 de dezembro, que incluíam o encerramento dos restaurantes são suficientes.

Taxa de reprodução inferior a 1

A taxa de reprodução do vírus é atualmente inferior a 1 (era de 0,86 a18 de Dezembro). No entanto, este declínio, bem como o baixo número de novos casos relatados nos últimos dias, devem ser vistos com grande cautela, diz o governo. Pois, são em grande parte explicados pela redução do número de testes realizados durante as férias e pelo atraso na notificação de novos casos, hospitalizações e mortes.

O Executivo disse que tinha efectuado uma análise detalhada da situação epidemiológica. A situação continua preocupante, com um elevado nível de contaminação e a chegada à Suíça de novas estirpes do vírus.

Mais de 5000 casos nas últimas 24 horas

Houve 5424 casos adicionais de coronavírus na Suíça na quarta-feira, de acordo com números do Escritório Federal de Saúde Pública (BAG/OFSP). Um total de 96 pessoas morreram e 303 pacientes foram hospitalizados em 24 horas.

Nas últimas 24 horas, foram transmitidos os resultados de 29.576 testes, disse a BAG/OFSP. A taxa de positividade é de 18,34%, acima dos 13% verificados ontem. Durante os últimos 14 dias, o número total de infecções é de 50,830. Nas últimas duas semanas, o país registou uma incidência de 587,98 novas infeções por 100.000 habitantes. A taxa de reprodução, que tem um atraso de cerca de dez dias, é de 0,75, um ligeiro decréscimo em relação a terça-feira.

Fonte: RTS

 


E necessário teste negativo para ir para França, vivendo na Suíça? Não.

A França colocou vários cantões na lista de "zonas de circulação" do vírus, impondo assim novas medidas à entrada no seu território. O texto estipula que um prefeito está habilitado a prescrever a quarentena ou a colocação e manutenção em isolamento de pessoas provenientes de áreas que albergam estâncias de esqui nos cantões de Valais, Vaud, Neuchâtel, Jura, mas também Uri e Graubünden.

Só para pessoas que residem em França

Estes testes negativos só dizem respeito às pessoas que residem em França. Assim, se tens de te deslocares para França, não precisas de apresentar um teste negativo de Covid-19.


No período do natal, os passageiros de e para Portugal foram os mais frequentes em Genève

Este ano, o aerporto de Genève viveu um ano diferente. Para quem conhece este aeroporto sabe que no período de Natal esperam-se filas e confusão. Este ano, devido ao covid-19, tal não aconteceu.

Uma diminuição de mais de 80%

Entre o 23 e o 27 de dezembro, cerca de 47'000 pessoas transitaram pelo aeroporto de Genève, segundo as últimas estatísticas do aeroporto neste domingo. Isto representa uma dimunuição de 84% relativamente aos mesmos dias em 2019. Nessa altura, 300'000 passageiros tinham passado pelo aeroporto.

Passageiros de e para Portugal na frente

Durante estes poucos dias de Natal, a maioria dos passageiros embarcou primeiro para Portugal, depois para França, Espanha, Itália, Emirados Árabes Unidos e depois para os Países Baixos. De acordo com Ignace Jeannerat das Comunicações do Aeroporto de Genebra, os voos que aterraram em Genebra vieram destes mesmos países, com Portugal na liderança.

Em Zürich a história repete-se

A situação no Aeroporto Zurich-Kloten é a mesma: no período de 17 a 26 de Dezembro, houve 80% de passageiros a menos do que em 2019. Em 2019, foram registadas 5.800 descolagens e aterragens, em comparação com apenas 1.800 este ano, segundo o porta-voz Philip Gentsch.

 


Cantão de Genève fecha restaurantes, bares e ginásios

A partir desta quarta-feira dia 23 de dezembro às 23horas, o cantão de Genève fecha restaurantes, bares e estabelecimentos de lazer.

Taxa de reprodução superior a 1

As novas medidas federais exigem que os cantões com uma taxa de reprodução de covid-19 superior a 1 tenham de fechar este tipos de estabelicimento. O cantão de Genève acaba de ultrapassar esse valor e, por isso, não pode continuar com estes estabelecimentos abertos.

Quando voltam a abrir?

A lei federal prevê que estas diligências permaneçam em vigor até 22 de Janeiro. A fim de poder flexibilizar novamente estas medidas, o cantão de Geenève terá de provar uma taxa de reprodução inferior a 1 durante sete dias consecutivos, ou 0,9 a partir de 5 de Janeiro de 2021, afirma o comunicado de imprensa.

Quais os cantões onde a taxa é inferior a 1?

Atualmente, somente os cantões de Neuchâtel, Vaud, Fribourg, Valais e Obwald têm uma taxa inferior a 1 e, pos isso, podem manter este tipo de estabelecimentos abertos. Os cantões a laranja são os únicos que podem ter esses estabelecimentos abertos. No entanto, o cantão de Obwald também decidiu fechar mesmo estando abaixo do valor fixado pela confederação.

 

Podes ver todos os dados aqui.

 

 


Suíça começa a vacinar nos próximos dias

Com o anúncio da Swissmedic neste sábado, referindo que a vacina Pfizer/BioNtech estava autorizada, a Suíça decidiu começar a vacinação nos próximos dias.

Proteção de 90% sete dias depois da segunda injeção

A vacina tem uma proteção superior a 90% depois da segunda injeção, para o diretor de Swissmedic, Raimund Bruhin “é uma vacina muito segura e uma etapa importante foi ultrapassada hoje”.

Vacina não autorizada para as pessoas com menos de 16 anos

Pelo facto dos dados serem ainda pouco conclusivos para as pessoas com menos de 16 anos, esta não é autorizada para esta faixa etária. O mesmo acontece para as mulheres grávidas.

Duas injeções

Para que a vacina seja eficaz, duas injeções intra-musculares têm de ser administradas num espaço de 21 dias.

A vacina será gratuita e não obrigatória. Para a diretora da OFSP (ministério da saúde Suíço) Anne Lévy “vacinar-se é um ato de solidariedade, mas também um ato para se proteger a si mesmo”.

107000 doses numa primeira etapa

A OFSP indicou que a vacina já vai começar a ser administrada a partir do mês de dezembro a pessoas vulneráveis. 107 000 doses vão ser entregues nos próximos dias, 250’000 no mês de janeiro.

De relembrar que a Suíça tem o acesso a 15.8 milhões de doses, negociadas com três laboratórios diferentes, 3 milhões com a Pfizer-BioNTech, 7.5 milhões com a Moderna e 5.3 milhões com AstraZeneca.

Qual é a ordem de prioridade?

As pessoas vulneráveis serão vacinadas em primeiro lugar: residentes de lares de idosos e pessoal de saúde. A vacina será depois, nesta primavera, proposta a toda a população.

No início as vacinas serão administradas em centros para o efeito e por equipas móveis. Depois, em hospitais e gabinetes. Numa terceira etapa, as farmácias também poderão administrar as vacinas.

Os cantões irão informar no momento certo quando a vacina estará disponível.


Última hora - Novas medidas na Suíça, restaurantes fecham a partir de terça-feira

A confederação acaba de anunciar novas medidas para lutar contra o covid-19. Atenção, tal como com a primeira série de medidas decididas na sexta-feira passada, os cantões menos afectados poderão decidir medidas mais flexíveis, tais como a abertura de restaurantes ou centros desportivos. Contudo, a taxa de reprodução deve ser inferior a 1 e a incidência ao longo de uma semana deve ser inferior à média nacional.

Restaurantes, centros desportivos e culturais fecham na terça-feira

Os restaurantes, assim como os centros desportivos, culturais e de lazer, terão de fechar as suas portas na terça-feira. As capacidades das lojas serão limitadas.

Não estão previstas excepções para a época festiva. As ofertas de entrega e de take-away continuarão a ser possíveis. As cantinas e cantinas de empresas nas escolas obrigatórias, bem como os restaurantes de hotel também poderão continuar as suas actividades.

Museus, cinemas, bibliotecas, etc, também fechados

Museus, cinemas, bibliotecas, casinos, jardins botânicos, jardins zoológicos também serão encerrados. Os jogos profissionais devem ser disputados sem espectadores. Os eventos culturais abertos ao público serão proibidos, a menos que sejam organizados de outra forma, como por exemplo em linha.

As actividades desportivas e culturais para menores de 16 anos ou pequenos grupos podem continuar. Um máximo de cinco pessoas serão capazes de treinar ao ar livre.

As instalações de esqui podem continuar abertas. O Conselho Federal não tomou quaisquer medidas adicionais. Limita-se a reiterar as condições. A situação epidemiológica tem de permitir que as instalações estejam abertas. Ou seja, deve haver capacidade suficiente nos hospitais, centros de testes e de rastreio. Deve ser criado e controlado um conceito de proteção. Qualquer autorização deve ser retirada se estas condições não forem cumpridas. Os cantões continuam a ser responsáveis para aplicarem as regras.

Menos clientes nas lojas

As capacidades das lojas serão reduzidas. O número de clientes autorizados dependerá da área da superfície da loja. Restrições de tempo permanecem em vigor: abertura das 6h às 19h e encerramento aos domingos e feriados públicos. E será necessário um conceito de protecção rigorosa.

Tal como com a primeira série de medidas decididas na sexta-feira passada, os cantões menos afectados poderão decidir medidas mais flexíveis, tais como a abertura de restaurantes ou centros desportivos. Contudo, a taxa de reprodução deve ser inferior a 1 e o impacto ao longo de uma semana deve ser inferior à média nacional.

A Confederação apela à população a ficar em casa

O Conselho Federal continua a apelar à população para que a população fique em casa. Os suíços devem reduzir os seus contactos e abster-se de viagens e excursões não essenciais.

Com este pacote de medidas, que está limitado a 22 de Janeiro de 2021, o governo pretende reduzir drasticamente o número de casos de coronavírus, que continua a aumentar. Pretende também assegurar as capacidades de cuidados e aliviar o fardo do pessoal nos hospitais.

Caso a situação continue a deteriorar-se, o Conselho Federal tenciona tomar rapidamente novas medidas. Realizará uma avaliação intercalar a 30 de Dezembro e elaborará um relatório no início de Janeiro.

 

EM ATUALIZACÃO. FONTE: Nouvelliste


Já tive Covid. Tenho de fazer quarentena na mesma?

Já tive Covid. Tenho de fazer quarentena na mesma ao voltar para a Suíça?

Esta é uma pergunta que recebemos várias vezes nos comentários, por mensagem privada e e-mail. A resposta é: depende.

Quando tiveste Covid-19?

Quando é que tiveste Covid-19? Se foi nos últimos 3 meses, é possível que possas ser isento de quarenta. Mas, mesmo assim, não é certo.

Os cantões avaliam cada caso...

A decisão final sobre esse assunto depende do teu cantão. Portanto, antes de te ausentares da Suíça, contacta o teu cantão para saber se no teu caso estás isento de quarentena. É provável que te peçam o comprovativo do teu teste positivo, com a data.

Qual é o contacto do meu cantão

Podes encontrar neste link os contactos de todos os cantões. No final dessa página há uma imagem da Suíça com todos os cantões, basta clicares no teu cantão para chegares à página com todos os contactos que precisas.

 

 


Ponto de vista de um professor universitário Suíço à nossa petição

Um professor universitário Suíço, Etienne Piguet, escreveu um artigo de opinião sobre a nossa petição no blog do jornal Le Temps, se souberes ler em francês podes ler diretamente o artigo nesta ligação. Fica aqui abaixo a tradução deste artigo:

Sem o povo, não pode haver vitória contra o vírus. Esta foi, muito justamente, a mensagem do Presidente da Confederação a 17 de Outubro. Na Suíça, um bom terço da população é constituído por pessoas que migraram. A OFSP [Ministério da Saúde Suíço] está bem ciente disto, uma vez que não menos de 24 línguas são utilizadas para transmitir as suas directivas. Mas será que as autoridades compreendem a importância não só de governar, mas também de convencer uma comunidade multifacetada?

A política de colocação em quarentena dos viajantes prosseguida desde o Verão passado é problemática a este respeito e potencialmente contraproducente se visar determinados grupos populacionais sem razões válidas. Passar por uma quarentena pode parecer trivial para um funcionário público (como eu), mas é um desastre para um trabalhador por conta própria, um trabalhador de plantão ou um estatuto frágil. O risco de perder o emprego - e em qualquer caso o salário - é proibitivo.

A premissa foi dada em meados do Verão com a lista negra do Kosovo, que tinha mergulhado esta comunidade na desordem. Para muitos migrantes, não se trata aqui de férias, quanto mais de turismo. O regresso periódico ao país permite-lhes manter uma ligação essencial com os seus familiares, por vezes um cônjuge e filhos.

A decisão de impor uma quarentena de dez dias aos que regressam de Portugal a partir de 14.12.2020 está a causar uma grande incompreensão nestes dias, o que se reflecte nas petições que solicitam a retirada da medida. Entre os milhares de mensagens que acompanham as assinaturas estão "injustiça", "falta de respeito", "falta de reconhecimento", etc. Para muitos portugueses, esta é uma medida egoísta: "É uma injustiça contra os emigrantes portugueses, porque, na minha opinião, é para o bem da economia suíça e não para o nosso bem viver! Uma prisão para quem trabalha durante todo o ano para isso? É essa a motivação que nos dão para continuar a trabalhar, ganhar, pagar impostos, etc.? ».

Não se trata aqui de negar que as quarentenas podem revelar-se indispensáveis do ponto de vista epidemiológico no caso de diferenças comprovadas de contaminação entre duas regiões, mas deste ponto de vista, a justificação das medidas tomadas contra os portugueses parece extraordinariamente frágil. Até se pode questionar a sua legalidade actual. Para que seja aplicada a quarentena, a taxa média de 14 dias de contaminação do vírus no país ou região em questão deve ser 60 por 100.000 mais elevada do que a taxa observada na Suíça. Para Portugal, o caso ocorreu apenas 3 vezes e com muito pouca diferença nos dias 27, 28 e 29 de Novembro (+61, +77 e +61 por 100.000 [círculo verde no gráfico]). Desde então, as taxas voltaram a ser mais baixas em Portugal: o risco de contaminação é menor do que na Suíça!

Fonte: Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças - Uma agência da União Europeia

A impressão que emerge da medida tomada contra os portugueses na véspera da época festiva é que as justificações epidemiológicas para as quarentenas impostas aos viajantes são acompanhadas por uma velha desconfiança que a Suíça e a sua administração têm dificuldade em ultrapassar em relação aos migrantes que tiveram pouca confiança em respeitar no seu próprio país as medidas sanitárias que já aplicam na Suíça com senso comum e responsabilidade. Transmite a velha ideia de que as epidemias vêm sempre de outro lado, do outro lado, do exterior.

A batalha contra o vírus envolve sacrifícios de todos e senso comum da parte de todos. Se a administração pensa a sua política em termos de "eles" e "nós" sem incluir os migrantes e se os migrantes, por sua vez, "não concordam com o que eles... nos fazem", nenhuma política baseada na solidariedade colectiva alcançará o seu objectivo.

"É difícil ficar longe da nossa família no Natal. Não sabe o que é esperar todos os dias para partir... compreende o sacrifício que fazemos longe da nossa família e do nosso país? Não sabemos quando será a última vez que veremos a nossa mãe e o nosso pai.
😢
😢 »

 

Um texto muito interessante do Professor Etienne Piguet.